Uma Abordagem Ingegrativa do Sono e dos Sonhos: o Encontro entre a Psicologia Analítica e a Neuropsicologia.

Monica Zanzini Certain

Orientador: Joel Sales Giglio

O presente estudo busca traçar uma reflexão sobre o sono e os sonhos, a partir de uma abordagem integrativa, onde se aproximam as visões da Neuropsicologia e da Psicologia Analítica Junguiana. Apresenta o sono como um momento de atividade mental muito propício a esta proposta de estudo integrado, descrevendo como lhe é peculiar um grande número de processos fisiológicos específicos, além de propiciar o surgimento dos sonhos, mensageiros do inconsciente e que exercem papel muito importante no processo de individuação. A reflexão retoma a compreensão mística, mítica e científica sobre o tema, alcançada em diversos momentos da história, até atingir as atuais descobertas no campo da neuropsicologia. Ao lado disto, destaca as reflexões de Jung sobre o sono e os sonhos. São discutidos aspectos de aproximação no campo dos sonhos, das memórias e das emoções, destacando-se este espaço e estado psíquico, como muito rico na produção imagética. O estudo propõe o reconhecimento do papel do sono e dos sonhos no equilíbrio total da psique, assim como propõe ressaltar a relevância do trabalho imagético no contexto psicoterápico e na jornada do auto conhecimento.

A Mãe Desnaturada: Aspectos Sombrios da Maternidade e a Possibilidade de Reconexão com a Mãe in Natura.

Joseane Fussi Veloso

Orientador: Lunalva Fiuza Chagas

RESUMO
O presente trabalho busca compreender a maternidade como uma oportunidade de resgate do feminino, a mãe in natura da qual a mulher tem se afastado na medida em que não se conecta a este feminino individual, mas busca respostas no feminino coletivo.
A maternidade é objeto de estudo, o que revela sua importância na atualidade. O posicionamento das mulheres frente ao mundo, a construção de sua identidade e o valor dado à maternidade fazem parte destas reflexões, que busca conhecer com maior detalhe os fatores que estruturam a relação da mulher com a maternidade tanto no período gestacional como posteriormente, com seu filho assim como os efeitos sobre a psique revelada e ativada com a chegada da maternidade.
A Psicologia Analítica Junguiana ofereceu o embasamento teórico para as reflexões e para a construção do conhecimento. Espera-se que as ponderações sobre esta relação tão íntima da mulher com seu feminino mais sagrado, possa contribuir para a compreensão da mulher e a maternidade como também apurar a escuta clínica.

A Mutilação da Alma Brasileira – Um Estudo Arquetípico

Dulce Helena Rizzardo Briza

Orientador: Priscila Caviglia

As freqüentes manifestações observadas no trabalho de consultório com figuras oníricas e fantasias de mutilação sob diversos aspectos e muitas situações arquetípicas constatadas em comportamentos individuais e coletivos em nossa sociedade motivaram o presente trabalho.

Tanto em nossa História como em nosso Imaginário _ Curupira, Saci e Mula-sem-Cabeça _ aparece a mutilação simbólica e concreta, como a miséria, a doença, a falta de coragem, a falta de amor.

Partindo do princípio proposto por Jung _ apoiado por sua vez em J. Burckhardt _ de que a libido percorre sempre o mesmo caminho tanto no microcosmo (indivíduo) como no macrocosmo (cultura) e de que para ele _ como para Nietzsche _ o sujeito é um produto de sua cultura e, ainda, de que a cultura só se transforma com a mudança do indivíduo, este trabalho procura traçar um paralelo entre a mutilação existente na formação do indivíduo, da sociedade e na forma com que isso se expressa em nossa mitologia.

Salienta ainda que, para que haja uma mudança e um crescimento, é necessária a contribuição dos psicoterapeutas, que, ao lidarem com as mutilações, trabalham no âmbito individual e coletivo para que a Sombra seja integrada à consciência e os aspectos pertencentes ao masculino (Animus) sirvam para fazer com que o Herói (Ego) ajude na liberação de aspectos femininos (Anima) positivos, que, se reprimidos na Sombra, costumam aparecer de maneira indiscriminada, destrutiva, obscura e demoníaca.

A conscientização levará o indivíduo e a sociedade à libertação dos “Pais Terríveis” e fará com que a mutilação se reverta num efetivo ritual iniciático, constelando então o arquétipo do Sacrifício.

E assim, donos de uma identidade, estaremos livres e amadurecidos para o exercício da cidadania e da democracia.

Obs: Essa Monografia foi transformada em livro pela Editora Vetor, com o mesmo título.

Amor e Dor​ – Edvard Munch: a arte de expressão pela arte

Ana Luísa Marques Traballi

Orientadora: Fabiana Lopes Binda Grazi

RESUMO

            O presente trabalho trata da experiência de amor, sofrimento e do processo de individuação, o qual se desenrola a partir dos relacionamentos amorosos e também das experiências de dor. O suporte teórico para estas reflexões encontra-se na Psicologia Analítica e nos conceitos de Carl Gustav Jung de inconsciente, arquétipos, animus, anima, persona, sombra, Self e o próprio conceito de processo de individuação, além da estreita relação da teoria junguiana com a expressão da psique pela a arte e imagens. Toda a elaboração do texto foi inspirada em algumas imagens escolhidas das obras de Edvard Munch, um artista norueguês, representante do movimento artístico expressionista. Munch se valeu da filosofia de valorização da subjetividade do Expressionismo e soube reproduzir em suas obras o sofrimento cotidiano e os sentimentos despertados no decorrer das relações amorosas, ilustrando assim, a meu ver, o processo de desenvolvimento pessoal e individuação.

PALAVRAS CHAVES: AMOR, DOR, EDVARD MUNCH

O Compadre – Uma análise possível de Exu

José Jorge de Morais Zacharias
Orientadora:Dulce Helena Rizardo Brizza
RESUMO
A presença das mitologias e divindades da cultura banta e nagô chegou ao Brasil através do período da escravidão.  Compreender a inserção destas divindades em uma nova terra cujo dominador era cristão católico necessitou de sincretismos e transformações culturais e simbólicas. Isto foi facilitado porque o catolicismo existente era o popular e não teológico. Neste contexto a prática religiosa católica se expressava mais como monolatrista e politeísta do que monoteísta. Este estudo analisa a construção do sistema monoteísta judaico-cristão e explora um pouco a discussão teórica estabelecida entre psicologia analítica clássica e a psicologia arquetípica. Neste contexto, Exu no Candomblé apresenta características de um Hermes africano, comungando com divindades de outras culturas traços semelhantes. Estas características o distanciam da concepção do diabo cristão, transitando além dos limites de bem e mal. Quando do surgimento da Umbanda, Exu adquire outros contornos e outra simbologia, por interferência da polaridade bem e mal presentes no cristianismo e no Kardecismo. Passa a ser o representante de conteúdos sombrios individuais e sociais, até identificar-se completamente com o mal nos cultos de Quimbanda. Neste estudo analisamos a amplitude de significações religiosas e psicológicas que Exu assume na cultura brasileira, amplificando sua compreensão simbólica para além de preconceitos e distorções de sua significação.
Palavras Chave: Exu, candomblé, umbanda, psicologia analítica, C. G. Jung

Reconnecting Body and Soul – Reflections on the dynamics of image and movement

Paulo José Baeta Pereira
Monografia apresentada para obtenção do título de analista do Instituto C.G. Jung – Zurique, sob orientação de John Hill
SYNOPSIS

When I started this work I did not know, as in a process of Active Imagination, where I would land at the end. Starting with Blake’s picture, the missing aspect for me was exactly the connecting point where soul and body meet, the mouth, the window, the breath, this moment, the bird on the window sill, the movement of my hand. By stirring the images through writing, the dance they created had the character of a “circumambulation” and not of an accomplished choreography. I experienced rather the improvisation that goes on in daily life, in this exact moment, in a play of chance and choice, the unrolling of an image track, presupposed but not yet written, the script of which unfolds as it becomes flesh in us. Is life the eternal dance of soul and body? Is it the evolving embrace of Purusha and Prakriti, of Matter’s aspiration for light and the blessings of the Unknown?  There is a mystery of hide-and-seek in Shiva’s dance of creation. This that is outside, is like this, that is inside. But the path evolves with the steps.

In this whole improvised dance, an image guides me constantly, expressed in these words from Sri Aurobindo’s “Savitri”( AUROBINDO, 1972, p. 707):

 

 

Even the body shall remember God.

 

This line hides a quest, which as the same times nourishes and challenges me throughout life. And this is what took shape in this written work. Two main areas of reflection crystallized along the line: on one side the perception of life as an energetic flow , as a constant movement, an the other the awareness that this flow not only expresses itself though pictures – visual, auditory, corporeal or of other quality or texture – but also that behind it there seems to lurk an intermittent line of images which characterizes and predisposes the way we live and what we are. It was even more relevant to me to call attention not so much to the search for an understanding, but to the possibility of an empathic connection with this eternally kiss of body and soul in each of us at every moment.
Evolving my reflections out of Blake’s picture of the “re-union of soul and body” in the introductory chapter, I moved in chapter two to the dance improvisation performance I presented in connection to Jawlinsky’s paintings. The intention here was to evidentiate the two tracks, dance and picture, and their interrelation. These were elaborated separately in the two following chapters. In the third one, it was my connect to provide the necessary practical information on dance to allow the reader not familiar with this field to move along with the reflections. In an excursion through my own experiences with picture, I tried in chapter four to bring into evidence the importance of image in the process of interaction of conscious and unconscious. Chapter five elaborates on Jung’s approach to active imagination and the role of images in this for the analytical work so important introspection technique. The material described in this chapter contains for me the biggest potential for the practical interconnection of image and dance. With the intention of showing some concrete possibilities of that interconnection, I presented in the following chapter a few examples of my exploration of visual material in the dance classes. As mentioned previously, my intention with the whole work was not to present concrete results of how image and movement relate to each other; it was rather an inner journey in search of the essential connections between them. I hope also that this work is a contribution to inspire new explorations in this line.
So far, the specific use of dance or body work in the analytical sessions with my clients has happened only sporadically. It remains an open potential to be explored further. I am curious to see how the analytical and the artistic personalities within me will succeed in joining hands to dive deeper, to fly higher and to explore new horizons together.

 

BIBLIOGRAPHY

1.      AUROBINDO, SRI, Savitri, Collected Works, Vol. 28, Sri Aurobindo Ashram, Pondicherry, 1972

SINOPSE

Meu objetivo é explorar as características destas duas áreas de expressão e pesquisa – a linguagem imagética e o movimento –  seus pontos em comum e sua capacidade de mutua fecundação. Com o desenrolar de minha experiência como bailarino, coreógrafo e professor de dança, e como psicólogo clínico e analista junguiano, tendo trabalhado nas duas áreas tanto com crianças e adolescentes como com adultos, observei o quanto a linguagem do corpo brota de imagens internas (não apenas visuais mas também e sobretudo sensoriais) e se nutre delas, e o quanto a percepção e expressão dessas imagens são importantes e mesmo indispensáveis para o nosso equilíbrio psicológico e para nosso desenvolvimento como indivíduos.

Partindo de minha experiência de vida e profissional, abordarei tanto o trabalho de Dança Contemporânea, focalizando a sua dimensão de criatividade e expressão espontânea através da improvisação, como o trabalho com imagens enfocando sua utilização na Psicologia Analítica. Como embasamento teórico, apresentarei e analisarei por um lado, dois métodos de improvisação na dança apresentados por Rolf Gelewski em seu livro VER, OUVIR, MOVIMENTAR-SE, e os conceitos básicos de movimento segundo Rudolf Laban, que deram origem à estruturação do movimento na dança moderna européia. Por outro exporei minhas experiências com as artes visuais, tanto no campo da dança como da psicologia. Na dança, descreverei sobretudo o espetáculo que realizei em Novembro de 2000 no Museu de Arte de Zurique sobre Pinturas de Jawlenski, Paul Klee e Hodler. Na Psicologia, exporei minhas experiências em dois centros psiquiátricos –  no Rio de Janeiro e em Viena – que baseiam seu trabalho na criação artística visual.
Quanto ao aprofundamento da pesquisa da intersecção destes dois campos, pretendo realizar laboratórios de movimento onde movimento e imagem serão usados numa troca mutuamente fecundante. Movimentar-se a partir de imagens visuais e de imagens internas, desenhar a partir de improvisações de movimento e usar o desenho livre como registro do processo de percepção auditiva e como agente estimulador da improvisação na dança serão as principais técnicas que pretendo utilizar.

“A Eterna Criança”: A psicodinâmica da auto-estima e a busca do processo de individuação

Fabiana Lopes Binda Graci

Orientador: Dr. Joel Sales Giglio

RESUMO:
Esta monografia aborda a psicodinâmica da auto-estima a partir dos conceitos que estruturam a personalidade de C.G.Jung.
A auto-estima é o sentimento de valor que o indivíduo tem sobre si mesmo, ela se estrutura a partir do relacionamento que a criança tem com seus pais, ou figuras de referência nos primeiros anos de vida.
A auto-imagem que o indivíduo tem de si mesmo desenvolve-se paralelamente com a noção de identidade. A formação do ego, da sombra e da persona estão diretamente relacionadas com a auto-estima.
Experiências de abandono que ocorram na primeira infância podem comprometer a capacidade afetiva, cognitiva, a formação da identidade e da auto-estima.
Para Jung, o arquétipo da criança representa a essência humana pré-consciente e pós-consciente. A partir desta vivência arquetípica o ser humano tem a possibilidade de rever suas experiências infantis de abandono e através da síntese dos opostos, a psique pode encontrar o caminho que leva a superação das projeções e à experiência da possibilidade de integração, ou seja, à Individuação.

O Trecho do Mundo:Um olhar sobre a individuação do andarilho

Alessandro Caldonazzo Gomes

Orientador:Gustavo Barcellos.

RESUMO
Esta monografia buscou conhecer o fenômeno da “opção” de vida do andarilho, sob a ótica da Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung. Realizou-se uma Pesquisa de Campo, tendo a entrevista fenomenológica como a metodologia adotada. Através dos resultados colhidos, construiu-se um provável perfil do andarilho e procurou-se estabelecer possíveis relações de sua opção de vida com o Processo de Individuação. Demonstrou-se sua relação próxima com os arquétipos do andarilho, do peregrino, do caminho, do herói e da peregrinação. Ao final, procurou-se discorrer sobre o Processo de Individuação do andarilho, destacando-se os aspectos da Ética, da Errância, da Sombra e Religioso.

Palavras-chave: Andarilho, Individuação, Psicologia Analítica, Psicanálise

Paisagem Interior: perambular, imaginar e sonhar

Adriana de Sousa Ferreira

Orientadora: Dra. Elizabeth Bauch Zimmermann.
RESUMO

As motivações para esta redação remontam a indagações cultivadas pelo interesse pessoal, pela prática terapêutica clínica e pela docência ministrada a arteterapeutas.

O objetivo é investigar os meandros e as implicações da vida onírica e do processo de criação artística desde suas raízes na interioridade da psique humana, a “terra incógnita da alma”, onde forças informes se movimentam em busca de for,a de expressão em direção à dimensão consciente, atravessando para isto camadas e camadas de vida desconhecida no inconsciente.

A emergência ou o cultivo de imagens – tais como sonhos, visões ou narrativas, em sua dimensão simbólica, manifestam o poder da vida latente nas profundezas de nosso ser.

Três eixos norteiam essa pesquisa:

1-      A imagem, como ela se configura e sustenta processos, compondo mundos e formas de habitar este mundo;

2-      O estado criativo do organismo, que elabora o entrelaçamento entre imagens dando origem aos sonhos ou à obra de arte, tornando visível a imagem;
A natureza desse processo, a natureza mesma do ser humano que carece de imagem para criar realidade.

O Pequeno Príncipe e a Relação Analítica

Lunalva Fiúza Chagas
Orientador:Gustavo Barcellos.

RESUMO

Trata-se de uma breve reflexão sobre o processo analítico, inspirada na obra de Antoine de Saint-Exupèry, O Pequeno Príncipe.

Pensando na linguagem essencialmente metafórica do encontro analítico, busquei a relação com este clássico de Exupéry, uma obra imagética capaz de tocar e espelhar a alma humana em todo seu mistério e delicadeza de detalhes.

Traçando um paralelo com o arquétipo do puer aeternus o texto segue ressaltando a necessidade de acolher as imagens e solicitações da psique sem cair nos velhos padrões cristalizados no ego.  O enfoque se dá no arquétipo em si e não em sua versão patologizada, tão explorada na literatura sobre o puer.

O cuidado que se dedica ao início do processo deve prosseguir como prioridade até a conclusão do mesmo. Para que isto se mantenha, há que se buscar uma profundidade na escuta analítica, uma atitude psicológica para com as feridas da alma, respeito para com o ritmo de cada paciente bem como para com suas limitações.