O Benzimento Cristão: Um estudo arquetípico da arte de benzer

Raul Marques
Orientadora: Dulce Helena Rizzardo Briza.
RESUMO
Este trabalho embasado na fala de Jesus Cristo, que se encontra no Evangelho segundo Marcos, capítulo 16 versículos 17 e 18, nos fala sobre a questão do benzimento cristão, como uma arte arquetípica.
Desde minha infância tenho observado tal fenômeno, comumente utilizado no meio em que vivia. Era recorrente a procura por benzedeiras pelas pessoas, que se curavam de alguma doença física ou emocional.
Diferente da análise junguiana, porém com muitos elementos comuns, na práxis do benzimento tanto o curador quanto o adepto não têm consciência do processo – como e quando pode ocorrer a cura -, porém ambos são afetados por ele.
Através de ritos e símbolos, o temenos – espaço para o sagrado é criado e então se pode estabelecer a relação transferencial entre curador e adepto. O benzedor ou a benzedeira se coloca como instrumento do numinoso, pois para ele(a) é Deus quem cura.
Nesse processo utiliza-se de ritos simples transmitidos por gerações, na tradição oral, na maioria das vezes com orações específicas, utilizando-se como material intermediário de elementos da natureza: água, sal, ramos de plantas, etc; além do uso de ícones de santos, velas, entre outros.
O texto procura chamar atenção sobre a questão da acolhida, que é a característica principal do benzimento, esta possibilita diminuição de ansiedade, facilitando o processo de enantiodromia.
Palavras chave: benzimento, arquétipo, transferência, cura.

Cadernos Junguianos – n° 12 – 2016

Sumário

Editorial
 5
Nossa capa
 7

Artigos

A opus alquímica e o trabalho do analista

Deborah Marçal de Almeida Landucci
 9

A música no setting analítico criativo: emoções, símbolos e autorregulação psíquica

Roger Naji El Khouri
 26

A psicologia científica e o paradigma junguiano

Adailson Moreira
 37

A eterna criança: autoestima e individuação

Fabiana Lopes Binda Grazi
 53

Relações arquetípicas entre a anima de Carl Jung e a figura da Deusa primordial

Igor de Almeida Faria Bueno / Lunalva Faria Chagas
 72

Atalanta fugiens e a fuga

Sibely Joaquina Pereira Lima
 90

Jung e Rorschach: a relação entre os seus experimentos

Camila Alkmim Bianco
 105

Crono-Saturno: o grande maléfico? Considerações sobre as manifestações arquetípicas de Crono-Saturno

Juliana Scarrone
 126

Transtornos alimentares: desta vez é o pai em questão!

Marly Amorim Palavras
 140

Interpretação do símbolo em Pessoa: as qualidades de Fernando Pessoa e os tipos junguianos

José Jorge de Morais Zacharias / Josiele de Oliveira Borges
 156

Histórias e Memória

AJB – 25 anos

Gelson Luís Roberto / Humbertho Oliveira
 172

Resenhas

Paciência

Joyce Werres
 175

Orientações aos autores para publicação

 178

 

A opus alquímica e o trabalho do analista

Sinopse: A escassez de trabalhos que tratam da metodologia da psicoterapia em psicologia analítica traz questionamentos sobre o trabalho do analista e a forma como esse trabalho acontece. Levando-se em consideração as características da psique como material de trabalho do analista, deve-se buscar compreender a psique no âmbito da própria psique. Para Edinger (2006), é isso o que fazemos quando tentamos compreender o processo de psicoterapia em termos de alquimia. Assim, entendemos o procedimento alquímico como uma metáfora para o procedimento analítico, e que o método do analista se aproxima do método do alquimista, abrangendo três principais aspectos: amplificatio, meditatio e imaginatio. Se é que existe um método alquímico/analítico, este deve ser um método que não pretende apenas enxergar, conhecer, entender em moldes apolíneos, mas que imagina o método e o trabalho também através de outras perspectivas míticas, ou seja, que leva em consideração aspectos arquetípicos, tanto da psique quanto do processo analítico.

A música no setting analítico criativo: emoções, símbolos e autorregulação psíquica

Sinopse: Partindo-se da premissa de que a estrutura dinâmica e arquetípica da música pode atuar simultaneamente como temenos e como psicopompo em um processo terapêutico, este estudo valoriza seu possível papel de continente e agente facilitador da expressão de emoções e sentimentos, bem como da transformação de conflitos por meio da experiência musical e simbólica. Discute-se a influência da música na vida do homem, especialmente seu papel estimulador de conteúdos inconscientes, bem como a relação íntima de suas propriedades com a estrutura e dinâmica da psique. A revisão da literatura também inclui uma breve discussão sobre a música e a musicoterapia no setting analítico e sobre a relação entre música, emoção e a expressão de símbolos através da formação de imagens. Conclui-se que a música, através de sua estrutura formal e complexa, pode ser utilizada no setting analítico como um estímulo dinâmico para a formação de imagens, favorecendo a ativação de forças autorreguladoras psíquicas e o diálogo criativo entre a realidade interna e externa da psique.

A psicologia científica e o paradigma junguiano

Sinopse:A psicologia científica, derivada dos estudos filosóficos, precisou aguardar a construção de um método adequado para existir. Evoluiu do pensamento mítico-religioso para a filosofia e derivou desta, surgindo como ciência e adotando uma visão mecanicista do universo. Esse conjunto de conceitos e teorias construiu o mundo moderno. Contudo, o estudo da subjetividade humana exigia um novo método, que superasse o paradigma cartesiano, o que acabou provocando a emergência de um novo método baseado em aspectos não mensuráveis e em perspectivas simbólicas e arquetípicas como forma de compreensão da realidade, não mais parcelando o indivíduo, mas entendendo-o global e holisticamente.

A eterna criança: autoestima e individuação

Sinopse: Autoestima é o sentimento de valor que o indivíduo tem sobre si mesmo; ela se estrutura a partir dos relacionamentos que a criança estabelece nos primeiros anos de vida, especialmente com seus pais. A autoimagem que o indivíduo tem de si mesmo desenvolve-se paralelamente com a noção de identidade. A formação do ego, da sombra e da persona relaciona-se diretamente com a autoestima. Experiências de abandono que ocorram na primeira infância podem comprometer a capacidade afetiva e cognitiva, a formação da identidade e da autoestima. Para Jung, o arquétipo da criança representa a essência humana pré-consciente e pós-consciente. O arquétipo da criança possibilita a integração dos opostos, a unificação, uma transformação na personalidade que deseja realizar-se.

Relações arquetípicas entre a anima de Carl Jung e a figura da Deusa primordial

Sinopse: O arquétipo é um conceito histórico do inconsciente coletivo que foi explorado profundamente por Jung. O autor pôde verificar as raízes coletivas e arcaicas do psiquismo humano e, assim, encontrar suas bases simbólicas. Um dos arquétipos mais comuns nos escritos de Jung é a anima. Esta é considerada como a porção feminina da personalidade masculina. Uma das possíveis figuras históricas da anima são as deusas, figuras míticas femininas que personificam o arquétipo em suas características. Em particular, há uma deusa primordial como deidade histórica encontrada em muitas civilizações do passado. O culto à Deusa foi muito prolongado na história da humanidade, o que confere significância arquetípica para o homem. Este texto propõe explorar os atributos da Deusa comparativamente ao arquétipo da anima, buscando sua correspondência na base desta. Encontramos características importantes entre a Deusa e a anima: elas têm uma dimensão ctônica; representam a vida psíquica; são uma ponte para a espiritualidade; possibilitam a extensão de relacionamento consigo e com o mundo; proporcionam a possibilidade de reorganização do psiquismo, como sendo um caminho para o desenvolvimento simbólico-psíquico do homem.

Atalanta Fugiens e a fuga

Sinopse: Jung escreveu sobre o papel da música na expressão do inconsciente coletivo. Um revisitado tema de estudo é o tratado alquímico Atalanta Fugiens, do médico e alquimista Michael Maier (1568-1622), uma tentativa de musicoterapia para os problemas da época, no qual ele descreve inúmeras analogias entre alquimia, mitologia e música, por meio de textos, imagens visuais e composições musicais, tomando como base o mito grego registrado por Ovídio em Metamorfoses. O simbolismo da fuga é interpretado no mito, na alquimia e na música como representação de fenômenos psíquicos nas manifestações culturais. As estruturas musicais são articuladas às imagens arquetípicas.

Jung e Rorschach: a relação entre os seus experimentos

Sinopse: Este artigo analisa as semelhanças e diferenças entre o teste de manchas de tinta de Rorschach e o teste de associação de palavras de Jung, considerando ambos os experimentos como instrumentos relacionais. Embora Jung não tenha tido um relacionamento pessoal com Rorschach, a evidência histórica sugere que ambos estavam cientes da teoria, técnicas e estratégias um do outro no campo da psicanálise. Um aspecto fundamental do diálogo entre Jung e Rorschach é que ambos compartilhavam Eugen Bleuler como um mentor intelectual. Assim, concentro-me em três semelhanças principais: Jung e Rorschach igualmente adotaram uma metodologia de associação livre ao escolher aleatoriamente palavras e imagens para compor seus testes, possivelmente com base em algum tipo de inspiração inconsciente; ambos os testes procuram a existência do complexo autônomo e a dinâmica psíquica; e ambos tinham uma ideia semelhante sobre a individuação, embora Rorschach tenha nomeado esse processo de forma diferente. As diferenças de identidade entre esses dois teóricos são abordadas, e conclui-se que uma interface de ambos os testes deveria ser considerada.

Crono-Saturno: o grande maléfico? Considerações sobre as manifestações arquetípicas de Crono-Saturno

Sinopse: Este artigo discorre sobre o arquétipo de Crono-Saturno e como ele se apresenta na psique contemporânea. Apresenta o relato do mito de Crono, oferece uma visão geral das considerações sobre Saturno na astrologia e discorre sobre o arquétipo senex-puer à luz da psicologia junguiana, utilizando as contribuições de James Hillman sobre esse assunto. Trata-se de um estudo bibliográfico.

Transtornos alimentares: desta vez é o pai em questão!

Sinopse:Os transtornos alimentares (TAs) são descritos por quadros clínicos sustentados por uma relação psicopatológica com o comportamento alimentar. Sob o ponto de vista das experiências arquetípicas primárias, a literatura já descreveu amplamente a relação patológica de pacientes com TAs com o dinamismo matriarcal responsável pelo cuidado e nutrição, caracterizando um feminino desamparado, descuidado e doente. Contudo, minha experiência clínica apontou para a necessidade de fazer uma breve reflexão sobre a relevância da figura arquetípica paterna, considerando a possibilidade desta experiência também poder contribuir para a manutenção da sintomatologia alimentar.

Interpretação do símbolo em Pessoa: as qualidades de Fernando Pessoa e os tipos Junguianos

Sinopse: Este artigo tem por objetivo estabelecer uma ponte entre a tipologia psicológica de Carl Gustav Jung e os cinco elementos propostos por Fernando Pessoa em seu livro Mensagem, para o entendimento dos símbolos e dos rituais. Faz-se uma analogia das funções psíquicas da tipologia junguiana, as quatro operações alquímicas e os quatro elementos naturais. Pode-se observar a legitimidade dos estudos de Jung no que tange à classificação tipológica, quanto à necessidade de integração das funções para a realização da totalidade psíquica e, consequentemente, para a interpretação dos conteúdos simbólicos do inconsciente. A relaçãoda poesia com a psicologia propiciou uma compreensão amplificada de conceitos discutidos na abordagem analítica, contribuindo para a intensificação de sua obra.

Cadernos Junguianos – n° 11 – 2015

Sumário

Editorial
 5

Artigos

Uma vastidão sem limites: reflexões de Jung sobre morte e vida

Sonu Shamdasani
 7

O Norte das águas em grega face: o Boto frente a Hermes

Gilzete Passos Magalhães
 26

Odisseia – último desafio de Ulisses

Aurea Roitman
 41

A única coisa certa é a incerteza: notas sobre o trabalho com sonhos na análise junguiana

Henrique de Carvalho Pereira
 48

A dança como expressão do Self

Paulo José Baeta Pereira
 63

Por que os deuses castigam? Apolo castigado

Bráulio Porto
 75

A Busca e o Encontro e o Encontro e a Busca: Individuações

João Bezinelli / Marilena Dreyfuss
 88

Integralidade mente-corpo na clínica das psicoses

Lygia Aride Fuentes
 96

Memória

Dez anos de ideias, encontros e realizações

Angela Nacacio / Silvia Graubart
 114

Artigos

A alma da cidade de Pelotas e as metáforas alquímicas

Rose Mary Kerr de Barros
 117

Individuação em disparada

Inês Praxedes Longhi
 129

Herói e sombra no conto de um homem ridículo

Maximiliano Z. Silva
 140

Terceiro Setor: um símbolo emergente

Paola Vieitas Vergueiro
 155

O humano diante da diversidade enigmática do seu ser

Soraya Cristina Dias Ferreira
 172

Histórias e memória

Dez anos de ideias, encontros e realizações

Angela Nacacio / Silvia Graubart
 179

Depoimento

Instituto C. G. Jung de Minas Gerais, uma jornada

Jussara Maria de Fátima César e Melo
 182

Resenhas

O cinema e a projeção da psique

Humbertho Oliveira
 184

Relatos Selvagens

Joyce Werres
 186

O Sal da Terra

Humbertho Oliveira / Lis Chagas
 189

Coraline

José Jorge de Morais Zacharias
 191

Orientações aos autores para publicação

 194

 

Uma vastidão sem limites: reflexões de Jung sobre morte e vida

Sinopse: Este artigo é uma transcrição da palestra proferida na Jungian Psychoanalytic Association de Nova Iorque, em homenagem a Philip Zabriskie, no dia 2 de novembro de 2007. “Vastidão sem limites” é a expressão usada por Jung para caracterizar o estado pós-morte em Arquétipos do inconsciente coletivo (OC 9/1: 45). O autor aborda, a partir de reflexões de Jung sobre a relação entre vida e morte, a investigação de fenômenos psíquicos pré e pós-morte, a imortalidade da alma, o trabalho analítico como uma preparação para a separação corpo-alma: enfim, a análise como uma atualização moderna da ars moriendi.

O Norte das águas em grega face: o Boto frente a Hermes

Sinopse: Este texto foi extraído da dissertação “Os espelhos dos rios: dimensões simbólicas da relação de gênero na lenda O Boto” e contou com o financiamento da Capes – Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, de 2012 a 2013. A psicologia analítica considera que aspectos psíquicos se expressam por meio de mitos, folclore e artes, favorecendo, na busca da compreensão desses fenômenos, diálogos com diversas áreas do conhecimento. Este texto se propõe a identificar aspectos do masculino, por meio de semelhanças entre o personagem do folclore amazônico o Boto e a divindade olímpica Hermes, sob o ponto de vista simbólico. Para a realização deste estudo, primeiramente, foram selecionadas narrativas sobre o Boto compiladas por estudiosos da história, antropologia e do folclore, bem como em expressões artísticas, na música e no cinema. Em outra etapa deste trabalho, a autora buscou identificar características comuns do masculino entre o encantado da Amazônia e o deus grego Hermes. O material eleito foi submetido ao processamento simbólico arquetípico (Penna, 2009), que propõe a compreensão do significado do símbolo. Os resultados alcançados indicam aspectos do masculino semelhantes entre o Boto e Hermes, corroborando para a ideia do mito e lenda como representação dos arquétipos do inconsciente coletivo.

Odisseia – último desafio de Ulisses

Sinopse: Ulisses em sua longa e árdua trajetória, enfrenta todos os tipos de desafios e perigos com o propósito de resgatar a bela Helena de Tróia. Batalha feroz que lhe rouba vários anos de vida pessoal. O herói obstinado pela conquista coloca-se em estado de hibrys, desafiando os deuses. Quando a guerra acaba e, finalmente, ele retorna para a sua amada, a paciente Penélope, resta-lhe percorrer o seu maior desafio: resgatar a si mesmo, travando uma grande batalha interna.

A única coisa certa é a incerteza: notas sobre o trabalho com sonhos na análise junguiana

Sinopse: Este artigo discute as ideias de C. G. Jung acerca dos sonhos, retomando duas questões fundamentais para o psicólogo analítico: qual a função dos sonhos na vida psíquica e como manejá-los na prática clínica? Em relação à primeira questão, Jung sugere que os sonhos são fenômenos psíquicos do inconsciente situados entre natureza e cultura, análogos a um animal com antenas ou a poemas privados, podendo também ser comparados a um drama interior. Seu exame cuidadoso ajuda a desfazer os hábitos cristalizados da consciência do eu, fertilizando a imaginação humana. Em relação à segunda questão, o artigo ventila a regra metodológica de ficar com a imagem e a técnica da amplificação. Para enriquecer a discussão, buscou-se aproximar determinadas concepções da teoria do ator-rede, do pensador francês Bruno Latour, das ideias de Jung sobre o fenômeno onírico. Nesse sentido, o sonho e seu trabalho são repensados como uma rede de atores. O artigo finaliza com uma vinheta clínica, a título de ilustração.

A dança como expressão do Self

Sinopse: A linguagem do corpo brota a partir de imagens internas e nutre-se delas, e a percepção e expressão dessas imagens são indispensáveis para o nosso desenvolvimento como indivíduo. Meu objetivo aqui será explorar as características destas duas áreas de expressão e pesquisa – o movimento e a linguagem imagética. Focalizarei, por um lado, a criatividade e expressão espontânea da dança através da improvisação e, por outro, minhas reflexões sobre a música e as artes visuais relacionadas à dança. Em continuidade, segui uma urgência interna de compreender e aprofundar a visão de C. G. Jung, que foi onde mais encontrei com um olhar ocidental a compreensão humana integral da nossa psique. A intenção final deste trabalho é, então, acompanhar mais de perto e mais fundo este rio subterrâneo do processo criador, refletir e buscar elucidações da dinâmica intrinseca da dança como expressão artística e a função que cumpre a linguagem imagética do inconsciente e nos empurra incessantemente ao processo de individuação.

Por que os deuses castigam? Apolo castigado

Sinopse: A abordagem psicológica da mitologia grega é uma tarefa que implica um método eminentemente imaginativo, por ser o entendimento das imagens seu foco principal. A psicologia arquetípica parece ser a ferramenta mais interessante de apreensão desse imaginal, em especial pela sua compreensão da organização analógica das fantasias, base primária do mito. Ao procurar “ficar com a imagem”, essa visão pressupõe que sejam abandonadas as leituras que literalizam, moralizam ou corrigem o mito, substituindo o uso do símbolo pelo da metáfora. Tendo isso como base, buscou-se neste artigo refletir sobre o tema dos castigos no mito do deus Apolo. Esse exame se mostrou adequado na compreensão precisa de suas imagens arquetípicas, no que diz respeito à psicopatologia específica e à semelhança que une essas imagens. Conclui-se que o tema dos castigos não se refere somente à punição, mas principalmente à elaboração de outras relações da consciência. Esta nova perspectiva aponta para um processo de individuação via logos, tendo como sustentação as idéias psicológicas, apartadas do poder, mas ligadas à sensibilidade artística e estética.

A Busca e o Encontro e o Encontro e a Busca: Individuações

Sinopse: Buscamos traçar aqui um paralelo entre duas formas do exercício da religiosidade, denominados pelo teólogo Leonardo Boff como O Caminho do Seguimento e O Caminho do Místico, e duas formas possíveis de se observar, em termos da psicologia junguiana clássica, o processo de individuação. No primeiro, mostramos como o arquétipo, uma vez mobilizado, encontra na religião institucionalizada um trajeto já demarcado, dogmatizado, que tornará, em termos egoicos, mais segura sua manifestação. Já quanto ao místico, a manifestação arquetípica irrompe abruptamente no ego, que se verá forçado a uma atuação no mundo, como forma de fortalecimento para não ser submetido ao fascínio do inconsciente. Esse processo é aqui exemplificado na figura do místico medieval Jacob Boehme.

Integralidade mente-corpo na clínica das psicoses

Sinopse: Esse trabalho origina-se da experiência nas oficinas de expressão corporal oferecido aos usuários de saúde mental em regime de acompanhamento/dia da Casa das Palmeiras no Rio de Janeiro. A experiência clínica com trabalho corporal faz dialogar a psicologia analítica de C.G.Jung com as técnicas corporais: vegetoterapia de Wilhelm Reich e experiências sensoriais advindas das artes plásticas, através da adaptação do trabalho de Lygia Clark e seus ‘objetos relacionais’. Estes autores buscam compreender o indivíduo em sua integralidade mente-corpo e questionam o dualismo metafísico (matéria e espírito, corpo e alma) que configurou a mentalidade ocidental.

A alma da cidade de Pelotas e as metáforas alquímicas

Sinopse: Contexto. Nosso recorte enfoca a psicologia do sal e do enxofre, presentes na história de Pelotas na forma da indústria do charque e dos tradicionais doces pelotenses. Objetivo. Através do simbolismo do sal e do enxofre, presentes na história da cidade, buscamos relacionar estas substâncias com os aspectos peculiares da alma pelotense. Metodologia. Utilizando-nos dos materiais disponíveis na literatura, buscamos encontrar as bases do pensamento junguiano capazes de explicar alguns comportamentos coletivos na cidade de Pelotas. Seguindo Jung, podemos fazer uma analogia do processo psíquico de um indivíduo com os da alquimia, e também utilizar a linguagem da alquimia para descrever alguns aspectos da alma da cidade. Considerações finais. A compulsividade do doce, representada pelo enxofre, parece remeter a alma de Pelotas para a necessidade de dosar o sal que, permanecendo em excesso, fixa e imobiliza, falando do conservadorismo de Pelotas. Sal, enxofre, mercúrio são substâncias arquetípicas e o processo de individuação, como realização plena, exige uma série de operações que devem ser realizadas sobre este substrato básico e que levarão a uma transformação singular harmônica na alma humana.

Individuação em Disparada

Sinopse: Através de um passeio pela letra da música Disparada, de Geraldo Vandré e Theo de Barros, a autora faz a constatação do relato agreste de um processo vivo de individuação. É possível observar, em cada etapa da história cantada, dinâmicas de transformação em diferentes fases da vida descritas por Carl Gustav Jung e autores junguianos, como Edward C. Whitmont e Marie-Louise Von Franz, que permitem reflexões sobre encaminhamentos positivos de conflitos e emergências em que o ego se porta, nas tomadas de decisões, como colaborador da individuação.

Herói e sombra no conto de um homem ridículo

Sinopse: Este artigo foi desenvolvido com base na análise do conto O Sonho de um Homem Ridículo, de Fiódor Dostoiévski, enquadrando-o no esquema da jornada arquetípica do herói do teórico Joseph Campbell, o qual designou um esquema teórico para estruturar histórias protagonizadas pelo arquétipo supracitado. Procurou-se interpretar o conteúdo da obra em seu caráter simbólico, relacionando os resultados obtidos com o desenvolvimento egoico do protagonista dentro da perspectiva de um processo de individuação. Esta pesquisa tem uma abordagem bibliográfica, utilizando o escopo conceitual junguiano. O procedimento metodológico utilizado baseou-se na análise de conteúdo considerando os moldes de uma crítica literária junguiana. Foi possível elucidar vários elementos simbólicos do mito de herói e considerar que uma fase inicial do processo de individuação surge no desenvolvimento psicológico do personagem, bem como obter um enquadre na temática da jornada do herói discutindo os resultados provenientes de tal sistematização, percebendo uma variante do arquétipo do herói. O conto apresenta um entendimento que indica que por vezes é preciso que se vivam intensamente os conflitos e se atribua um sentido na angústia e depressão.

Terceiro Setor: um símbolo emergente

Sinopse: Este artigo observa o Terceiro Setor como um símbolo da atualidade. Para realizá-lo, começa apresentando uma visão da história do Terceiro Setor. Explora as bases teóricas da psicologia analítica sobre as quais baseia sua leitura. Com isto, afirma os recursos que a psicologia analítica dispõe para investigar a disposição psíquica que acompanha eventos políticos, econômicos e sociais. Realiza uma pesquisa sobre o símbolo do três e da Trindade e, a partir desta, lança hipóteses de compreensão dos possíveis sentidos apontados pelo Terceiro Setor na atualidade.

O humano diante da diversidade enigmática do seu ser

Sinopse: Desde o surgimento da humanidade, a questão sobre a natureza do ser humano está posta de forma desafiadora ao logos. A filosofia antiga declara que através do conhece a ti mesmo se pode chegar ao âmago do que somos. A partir deste lugar, mas de forma diferenciada, surgem nos tempos modernos novas ciências e estas continuam o árduo exercício de tentar decifrar o enigma do que nos constitui como seres existencialmente relacionais. Percorrendo sem preconceitos a diversidade destes antigos e novos saberes, a psicologia profunda de Jung propõe suas leituras sobre o dinamismo psíquico, apontando, como estrela-guia para chegarmos ao que realmente somos, o processo de individuação. Este artigo apresenta, então, pequenos enfoques de um percurso que culminou na construção de um determinado olhar sobre a diversidade enigmática do humano.

Cadernos Junguianos – n° 10 – 2014

Sumário

Editorial
 5

Artigos

Regina Sampaio

Verruga no nariz: uma contribuição à desconstrução da malignidade
 7

Walter Boechat

Ao encontro do corpo criativo: novos caminhos da expressão simbólica
 21

Rosane Barbosa Marendino

Re-vendo a presença da psicologia na escola através do cultivo da alma
 33

Daniela Benzecry

Psicopatologia da Síndrome de Dependência de Drogas e Tratamento
 51

Helena Maria de Andrade Capelini

O rio secreto que purifica os homens da morte: uma leitura junguiana do conto “O Imortal”, de Jorge Luis Borges
 63

Heloisa Mara Luchesi Módolo

Uma reflexão sobre o filme La teta asustada
 83

Roque Tadeu Gui

Afrodite Porneia no Temp(|)o Digital: a subjetivação feminina da pornografia
 101

Marcelo Niel

Sobrevoando a cabeça da Medusa: uma visão junguiana sobre a transgeracionalidade dos comportamentos borderline
 121

Gustavo Barcellos

Esboço para uma alquimia do açúcar
 131

Resenhas

Denise Maia

Valente
 142

Braulio Eloi de Almeida Porto

Fausto e a tragédia arquetípica da perda da alma
 146
Orientações aos autores para publicação
 149

Verruga no nariz: uma contribuição à desconstrução da malignidade

Sinopse: Bruxa, demoníaco, misoginia – uma contribuição à desconstrução da malignidade, é um estudo que procura ampliações na compreensão do feminino repudiado, buscando na História dados que detectam e denunciam a misoginia; e que na atualidade se refletem nos conceitos teóricos e modos de pensar e tratar em homens e mulheres.

Ao encontro do corpo criativo: novos caminhos da expressão simbólica’

Sinopse: O presente artigo aborda a crescente importância do corpo em psicoterapia e nos estudos de comportamento e identidade. O autor tem como objeto de seu trabalho não a questão psicossomática e o processo de somatização em si, mas os problemas da totalidade corpo-mente para a compreensão do homem no novo paradigma. O autor lança mão de teorias da neurociência atual, apoiando-se principalmente em Damásio e Edelman e também nas teorias de linguagem de Lakoff e Johnson, procurando demonstrar que a dicotomia cartesiana res cogita – res extensa está superada dentro de uma perspectiva da pós-modernidade. Incluídos na questão corporal, os gestos e os movimentos são abordados como elementos importantes dentro de uma psicoterapia. A obra de C. G. Jung é citada em momentos de tomada de perspectiva de totalidade corpo-mente. O corpo expressivo aparece de forma bem definida no ensaio de Jung, “A Função Transcendente”, que é abordado com especial atenção.

Re-vendo a presença da psicologia na escola através do cultivo da alma

Sinopse: O presente artigo propõe uma re-visão das relações e das práticas do psicólogo escolar com/na educação, partindo de subsídios oferecidos pela psicologia analítica de C. G. Jung e a psicologia arquetípica de James Hillman. Compreende- se que em lugar de buscar causas e explicações psicopatológicas, fragmentadas e reducionistas – típicas do modelo racionalista no qual a psicologia científica surge -, o psicólogo que trabalha no ambiente escolar possa se dedicar a uma nova visão de homem na sua existência cotidiana, no seu tempo e dentro de seu contexto cultural, abrindo dimensões diferentes que conduzam ao reencontro da alma com o logos.

Psicopatologia da Síndrome de Dependência de Drogas e tratamento

Sinopse: O drogadicto é alguém que evita as dores e desconfortos existenciais usando drogas. Ele reage de uma forma não adaptativa à realidade: em vez de aproximar-se ou afastar-se (forma adaptativa), ele altera o que sente tomando uma droga. Passando o bem-estar, a realidade volta a confrontá-Io e ele toma mais drogas, até ficar indiferente à realidade e insensível. Seus sentimentos serão determinados pela presença ou ausência das drogas e o seu pensamento será dominado por elas. O valor primeiro a nortear as escolhas do adicto será as drogas, elas serão o centro de sua vida e o ego voltar-se-á para elas. O resultado do processo de dependência é um progressivo isolamento e a não integração do adicto à sociedade e da experiência da droga à consciência. O tratamento deverá possibilitar a integração de aspectos vividos na drogadição à consciência e do indivíduo à sociedade. Na recuperação, o encontro de valores transcendentes possibilitará a expansão da consciência enquanto o ego vai, imaginariamente, no sentido do Self. Portanto, o tratamento deve favorecer o processo de individuação.

O rio secreto que purifica os homens da morte: uma leitura junguiana do conto “0 imortal”, de Jorge Luis Borges

Sinopse: Neste texto, percorre-se a primeira parte do conto “O imortal”, de Jorge Luis Borges, articulando-se a narrativa com uma atitude junguiana. Parte-se do pressuposto que a literatura borgiana, e especialmente a peça literária em foco, fundamenta-se num universo simbólico e imaginário que extrapola em muito a dimensão da individualidade do autor ou de qualquer humano em particular. Isso a torna especial na configuração não só cultural como também arquetípica da humanidade. A opção foi remeter-se à literatura junguiana como instrumento de identificação de traços de um processo psíquico em direção à individuação. Os conceitos, no entanto, não estão desenhados com traços acadêmicos propriamente ditos. Eles são expostos e articulados, em todo o trajeto textual, como vivamente fundados na experiência humana de vida e morte como par nuclear da existência.

Uma reflexão sobre o filme La teta asustada
(Uma jornada do medo para a vida)

Sinopse: A partir do filme peruano La teta asustada, que retrata as consequências traumáticas dos abusos sexuais ocorridos durante o terrorismo do Sendero Luminoso, analisamos o processo de individuação da personagem Fausta. No mito andino, as mulheres violentadas transmitiam, através do leite materno, as lembranças traumáticas para seus bebês, que ficavam igualmente marcados pela tragédia.

Afrodite Porneia no Temp(l)o Digital:
a subjetivação feminina da pornografia

Sinopse: Pornografia, um negócio que movimenta 12 bilhões de dólares por ano. O imaginário pornográfico veiculado pelos meios de comunicação, sobretudo pela internet, exerce efeitos sobre a subjetividade de homens e mulheres. Trata-se de mais um dos sintomas da corrosão dos valores morais, como desejam algumas orientações religiosas ou mesmo leigas, produto da ativação de uma sombra coletiva que se expressa por meio da maquinaria e processos do tempo digital? Ou expressa certos dominantes arquetípicos que se atualizam nos acontecimentos de um mundo em efervescência tecnológica, fazendo emergir novos valores, atitudes, hábitos e comportamentos, enfim, novas formas de subjetivação? Em que altar reza a pornografia? Como afeta o processo de individuação de homens e mulheres contemporâneos? O tema surge na sala de análise, no depoimento de homens, sobrecarregados de culpa e vergonha, mas também na estranheza e no incômodo de muitas mulheres que se perguntam por que eles fazem isso! A pornografia tem sido considerada um problema masculino, evocando categorias ligadas à patologia, à perversão e aos desvios de caráter, quando não ao crime. Mas o que pensam as mulheres?

Sobrevoando a cabeça da Medusa: uma visão junguiana sobre a transgeracionalidade dos comportamentos borderline

Sinopse: Através da ilustração de um caso de análise de uma paciente portadora de Transtorno de Personalidade Borderline (TPB), o autor propõe uma visão junguiana do conceito da transmissão da vida psíquica entre gerações de René Kaés, tendo como base simbólica o mito da Medusa e a poesia homônima de Sylvia Plath.

Esboço para uma alquimia do açúcar

Sinopse: O trabalho compõe uma análise do temperamento doce e da metáfora psicológica do açúcar com base na sabedoria alquímica medieval das substâncias essenciais que compõem os fenômenos da natureza aparente e inaparente. Tal como o sal, o mercúrio e o enxofre, proponho um exame do açúcar pensado como uma substância alquímica que integraria o tetrassoma paracélsico, trazendo-o para um paradigma mais moderno. Tal exame, empreendido com o caráter de uma “imaginação ativa” e na chave da metáfora, poderá ajudar na clínica analítica dos humores ao nos fazer entender e captar de modo mais profundo e abrangente as experiências psicológicas e emocionais que têm a ver com docilidade e amargura na vida

Cadernos Junguianos – n° 9 – 2013

Cadernos Junguianos

Sumário

Editorial
 5

Artigos

James Hillman no Brasil

Lunalva Fiuza Chagas
 7

Acerca de uma distância imaginal: Tributo a James Hillman no Brasil

Camilo Francisco Ghorayeb
 10

“Caro James”: a paixão acadêmica e o arco de influência

Jennifer Leigh Selig
 15

O método arquetípico: reflexões acerca da abordagem de Hillman aos fenômenos psicológicos

Glen Slater
 20

James Hilllman: insinuações filosóficas

Edward Casey
 35

Tributo a James Hillman

Stephen Aizenstat
 50

Hillman e Freire: acompanhamento intelectual por dois pais

Mary Watkins
 65

Levemente em desacordo: a terapia de James Hillman

Gustavo Barcellos
 86

Do sótão ao porão e entremeios

Safron Rossi
 95

Astrologia arquetípica: uma introdução

Laurence Hillman
 104
Orientações aos autores para publicação
 113

Dores do Feminino: Reflexões sobre a inveja

Ana Carolina F. Garcia
Orientadora: Dulce Helena Rizzardo Briza
Resumo
Este trabalho buscou refletir sobre a inveja. A inveja sempre foi abordada e ainda o é sob o prisma negativo, muito enfocado pelas teorias kleinianas e pela sociedade em geral. Para nossa reflexão procuramos bibliografias que permitissem novos olhares no sentido da possibilidade de transformação, a partir da sua conscientização. Desta forma, utilizamos o olhar de diversos autores para podermos encontrar um caminho de compreensão da inveja. Entendemos que a inveja intensamente vivida pode estar relacionada a aspectos do desamparo e vazio psíquicos, aspectos presentes no complexo materno em seu polo negativo.
A consciência deste mecanismo e a busca pelo preenchimento interno com aspectos pessoais auxilia no processo de lidar com a inveja de forma a promover transformação.
Palavras-chave: inveja, arquétipo do Feminino, complexo materno, transformação.

Cadernos Junguianos – n° 8 – 2012

Cadernos Junguianos

Sumário

Editorial
 5

Artigos

Processo de Enveredações ou a ‘Gã’ de Dizer Sim ao Mundo

Carlos Bernardi
 7

Corpo-imagem e Individuação – Reflexões sobre a Presença do Corpo na Clínica Junguiana

Humberto Oliveira
 16

O Fazer Alma na Improvisação em Dança

Aline Fiamenghi e Liliana Liviano Wahba
 39

Navegantes em Mares Gregos – Interface mito, inconsciente e loucura sob perspectiva junguiana

Helena Maria de A. Capelini e Roger Naji El-Khouri
 48

O Resgate do Mistério

Rubens Bragarnich
 68

Dando Nome aos Búfalos: ‘vendo através’ das imagens arquetípicas em pacientes borderline

Marcelo Niel
 74

Especial

Tributo a James Hillman

Paul Kugler
 80
Patricia Berry
 81
Robert Hinshaw
 82
Gustavo Barcellos
 86
Wolfgang Giegerich
 89

Resenhas

Um Método Perigoso (ou Um diretor Medroso)

Nelson Blecher
 109

Cenas do Arquétipo Fraterno

Silvia Graubart
 111

Animus de Ferro

Rubens Bragarnich
 100

Homenagem

Mario Jacoby (1925 – 2011)

Walter Boechat
 115
Orientações aos autores para publicação
 117

Processo de Enveredações ou a ‘Gã’ de Dizer Sim ao Mundo

Sinopse: Por meio de um deslocamento o conceito de processo de individuação é rebatizado e chamado de processo de enveredações. Com este termo o autor quer enfatizar a importância da abertura ao mundo das experiências, enquanto a neurose seria um fechamento, aceitando seus desvios, sua incompletude, sua ambivalência, sem cálculos precisos. Todas essas questões foram tecidas em diálogo intenso coma a obraGrande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa.

Corpo-imagem e Individuação – Reflexões sobre a Presença do Corpo na Clínica Junguiana

Sinopse: Este trabalho objetiva uma reflexão teórica sobre a participação do corpo em psicotwerapia no contexto de uma aproximação entre concepções da psicologia analítica e da psicoterapia somática. Procurando uma linguagem mais univoca para abordar essa ligação entre corpo e psique, o autor organiza, neste contexto, a noção de corpo-imagem-em-interação, uma compreensão mítico-corporal do processo de individuação. Descreve, aqui, algumas significativas contribuições da clínica junguiana do corpo e da psicoterapia somática. Alguns momentos clínicos são evocados, colocando em evidência as seguintes abordagens terapêuticas: fala, escrita, canto, narrativa e desenho; auto-massagem, autorretrato e poesia dos gestos; atuação do corpo-onírico, posturas e vivências ressonantes.

O Fazer Alma na Improvisação em Dança

Sinopse: Este artigo apresenta reflexões a cerca da experiência de improvisação em dança sob a perspectiva da alma proposta por James Hillman. Para o autor, alma não é uma substância, mas uma perspectiva, uma tarefa, a função de transformar eventos em experiências, a capacidade de reconhecer todas as realidades como fundamentalmente simbólicas ou metafóricas.

Navegantes em Mares Gregos – Interface mito, inconsciente e loucura sob perspectiva junguiana

Sinopse: Neste artigo, propõe-se percorrer trechos dos caminhos do humano, como é possivel aos humanos. A escolha prévia é recolher, num ato de reconhecimento, fragmentos da ordenação mitológica, que tornou possível ao humano nomear suas angústias e inquietações fundadas em mistérios das relações interno-externo; eu-tu; consciente-inconsciente. Esse primeiro ato é seguido pelo esforço de desenhar traços que permitam trazer à tona aspectos do sentido da interface mito e inconsciente, mito e loucura, assumindo um olhar junguiano. Obedecendo-se à logica desse olhar, a mitologia nas sociedades primitivas é compreendida em sua função religiosa e instrumento central de interpretação holística do mundo, em que o humano não é individualizado. Outra parte essencial para a elaboração deste texto são alguns aspectos do processo civilizatório grego. Nele a demarcação dos espaços dos deuses e o espaço do homem é notável. Nesse contexto instala-se a polarização entre razão e desrazão; consciente e inconsciente; deuses e homens. A transversalidade dos arquétipos também tem lugar nesta pesquisa. Como importante material para análise dessa complexa tematização, foram escolhidos mitos da Grécia arcaica, nomeadamente Prometeu, Orestes, Fedra e Medeia.

O Resgate do Mistério

Sinopse: O autor historia os avanços da psicologia analítica e depara-se com o resgate do mistério como elemento fundamental do paradigma junguiano, condição que diferencia essa abordagem dos demais modelos de psicologia. Observa que o mistério se expressa na lógica da compensação cultural dos modelos vigentes desde a Antiguidade até nossos dias de massificação consumista e hiperindividualismo. Discute a impossibilidade de eliminar o mistério sem que haja uma artificialização epistemológica que afasta o homem do funcionamento real da vida psicológica e cultural. Finalmente, conclui que a psique pode ser sondável, mas incomensurável.

Dando Nome aos Búfalos: ‘vendo através’ das imagens arquetípicas em pacientes borderline

Sinopse: O autor explora a relação com os conteúdos agressivos reprimidos de uma paciente borderline e o mito do Minotauro, como um símbolo arquetípico que surge durante o processo terapêutico, podendo-se, a partir daí, estabelecer um elo e uma possibilidade de transformação dos sintomas em elaboração consciente.

Cadernos Junguianos – n° 7 – 2011

Cadernos Junguianos

Sumário

Editorial
 5

Artigos

O Livro Vermelho: Livro de Múltiplos Caminhos

Walter Boechat
 7

O final da análise

Lunalva Fiuza Chagas
 26

Morte … transformação imagética da alma

Paulo Costa de Souza
 36

Um sonho e sua metafora alquimica

Nara Santonieri
 58

O vaso e o fogo alquímico formado pelo campo relacional terapêutico

Renata Whitaker Horschutz
 62

Sincronicidade: o tempo criador

Izete de Oliveira Ricelli
 78

In Memoriam Rafael López-Pedraza (1920 – 2011)

Axel Capriles M.
 90

Resenhas

Começar de Novo: o Divorcio na Terceira Idade

Angela Cosac Nacacio
 95

Cisne Negro

Daniel Ross
 97

Encontro Devastador com a Sombra

Rubens Bragarnich
 100

Podemos Confiar em Bauman?

Rubens Bragarnich
 102
Orientações aos autores para publicação
 104

O LIVRO VERMELHO: LIVRO DE MÚLTIPLOS CAMINHOS

Sinopse: O presente artigo é uma reflexão sobre alguns aspectos do O Livro Vermelho, de C.G. Jung. O autor evidentemente não pretende esgotar as questões levantadas por essa importante publicação. O artigo traz apenas algumas reflexões sobre a origem da obra, sua organização e elaboração. O artigo comenta ainda as tonalidades medievais do livro, seu papel em relação ao fluir da criatividade posterior de Jung, suas relações com a crise européia de então, o simbolismo do herói e as influências gnósticas da obra.

Palavras-chave: O Livro Vermelho, psicologia junguiana, técnicas expressivas, imaginação ativa, mito do herói.

O FINAL DA ANÁLISE

Sinopse: O presente artigo é um capítulo de uma reflexão maior sobre a relação analítica. O enfoque é sobre o final da análise. O mesmo cuidado e atenção no início do processo analítico deve ser mantido na conclusão, lembrando que o trabalho com a psique nunca se esgota e que o processo não pertence ao analista. A psique sinaliza a direção a seguir, um tempo que se esgota sob uma óptica específica, o fechamento de um ciclo de trabalho, o encerramento de um período de busca de significado sob uma determinada perspectiva. A finalização do processo pede ponderação e prudência, sensibilidade e respeito.

Palavras-chave: processo analítico, conclusão, cura, perspectiva.

MORTE … TRANSFORMAÇÃO IMAGÉTICA DA ALMA

Sinopse: O artigo é um estudo sucinto sobre a morte, tendo o filme Mar Adentro como pano de fundo. O suicídio e a eutanásia aparecem como olhares diferentes do tema pungente… Morte! A base teórica é sustentada nas posições de Carl Jung frente à imortalidade da alma, a morte e o suicídio. Com certeza Jung, em vários momentos de suas cartas, vai parecer dúbio e paradoxal. Jung variava sua abordagem sobre o tema em função dos destinatários de suas missivas e de suas necessidades momentâneas ao longo da vida e, principalmente, após a meia-idade ou avançado dos anos. O autor também usa as informações de James Hillman, principalmente retiradas do seu livro Suicídio e Alma.

Palavras-chave: morte, Mar Adentro, suicídio, eutanásia, C.G. Jung, James Hillman

UM SONHO E SUA METÁFORA ALQUÍMICA

Sinopse: Este artigo trata de um sonho em um momento de vida muito especial que, ao ser compreendido à luz de sua metáfora alquímica, trouxe aprofundamento e significado à própria vida.

Palavras-chave: corpo e alma, sonho, alquimia, puer et senex, sal.

O VASO E O FOGO ALQUÍMICO FORMADO PELO CAMPO RELACIONAL TERAPÊUTICO

Sinopse: O presente artigo aborda o importante papel da Alquimia no universo da psicologia analítica, debruçando-se sobre o desenvolvimento da relação entre ambas. Descreve a construção do vaso terapêutico destinado a conter o material psíquico a ser transformado, num processo de análise, durante o qual cabe ao alquimista/terapeuta dominar a arte de controlar o fogo, a quantidade de libido capaz de modificar a psique do paciente. Seu objetivo consiste em salientar a Alquimia como uma preciosa ferramenta para o estabelecimento de uma ligação anímica entre analista e paciente.

Palavras-chave: alquimia, vaso, fogo, relação terapêutica, transformação.

SINCRONICIDADE: O TEMPO CRIADOR

Sinopse: Este trabalho visa demonstrar a sincronicidade como atos de criação no tempo ou tempo criador da forma como é compreendida por autores junguianos contemporâneos. A Física dos processos termodinâmicos desenvolvida a partir das últimas décadas do século XX reavalia o tempo atribuindo-lhe características lineares e não lineares onde o acaso encontra um lugar na descrição dos fenômenos. Entendida como um fenômeno emergente da dinâmica psíquica característico de fases de transição, assim como outros fenômenos da natureza, acreditamos que a sincronicidade possa ter encontrado, na atualidade, o respaldo científico pretendido por Jung.

Palavras-chave: sincronicidade, complexidade, sistema, auto-organização, paradigma.

Cadernos Junguianos – n° 6 – 2010

Cardenos Junguianos

Sumário

Editorial
5

Artigos

Individuação: o devir e a deriva do sujeito

Roque Tadeu Gui
7

O mito de Perseu e da Medusa e os processos de petrificação

Maria da Graça Serpa
26

O amor entre parceiros do mesmo sexo e a grande tragédia da homofobia

Gustavo Barcellos
42

Amor, dor e criatividade

Glauco Ulson
58

Mar Morto: é doce morrer no mar…

Renata Wenth
71

O trecho do mundo: um olhar sobre a individuação do andarilho

Alessandro Caldonazzo Gomes
92

Complexo materno e criatividade em Como Água para Chocolate: individuação e psicopatologia

Aurea Christina Torres
104

Self corporal: um caso paradigmático de experiência intra-uterina

Lygia Aride Fuentes
116

Desenvolvimento de identidade na adolescência: uma análise do livro Clarissa na perspectiva da psicologia analítica

Simone Rodrigues Neves
135

Resenhas

A Antropologia de Lévy-Bruhl

Rubens Bragarnich
154

Psique Geradora de Mitos

Acaci de Alcântara
156

As Emoções no Processo Psicoterapêutico

Silvia Graubart
157

O Irmão

Victor Palomo
159

Palestras dos Tempos de Faculdade

Rubens Bragarnich
161

A Partida

Denise Maia
163

Pecado da Carne

Silvia Graubart
166
Orientações aos autores para publicação
169

INDIVIDUAÇÃO: O DEVIR E A DERIVA DO SUJEITO

Resumo: Discute-se o conceito de individuação, noção central da psicologia analítica, em seus desdobramentos peculiares na doutrina junguiana. Argumenta-se que, embora a individuação seja uma tendência inerente à condição humana, trata-se de um processo sem fim e pode ser cultivado e direcionado pelo empenho pessoal, com a adoção de estratégias de desenvolvimento, tais como a psicoterapia e a análise. Estabelecem-se relações entre as ideias da psicologia analítica e o caráter circunstancial da existência humana. Para isto, lança-se mão das ideias de dois outros pensadores da situação humana: José Ortega y Gasset e Paulo Freire. Ambos convencidos de que o mundo só se faz mundo por meio da práxis humana, mas também de que não se pode falar de vida humana sem que se fale deste mesmo mundo.
Palavras-chave: individuação, condição humana, devir e deriva do sujeito, subjetividade e circunstância, práxis.

O M I TO DE PERSEU E DA M EDUSA E OS PROCESSOS DE PETRI FI CAÇÃO

Sinopse: Este artigo é uma reflexão acerca do mito do herói grego Perseu na sua tarefa de decapitar a Medusa. De sua relação com o trabalho heroico do ego do homem ocidental em nossos dias, que precisa vencer a si mesmo para, redimido, encontrar-se com o Self.
Palavras-chave: Perseu, Medusa, Ego, Si-Mesmo, Redenção.

O AMOR ENTRE PARCEIROS DO MESMO SEXO E A GRANDE TRAGÉDIA DA HOMOFOBIA

Sinopse: A homossexualidade não é somente uma orientação sexual, mas também uma preferência afetiva. Como um amor “difícil” ou interdito, mantém a psique num trabalho constante de iniciação no autoconhecimento. Um indivíduo de orientação afetiva homossexual está desde sempre numa relação intensa com os mistérios de sua identidade sexual, sempre em descoberta, em questionamento. Este ensaio explora as diversas faces desse amor, em nível individual e arquetípico, incluindo os mitos de Eros que são mais importantes na tentativa de compreensão da alma homoerótica que qualquer imagem que nos devolva às reduções de masculino/feminino.
Para a clínica psicoterapêutica, uma dessas faces inclui a homofobia, que constitui então elemento da maior importância por seus efeitos emocionais constitutivos. A homofobia é um tema pouco elaborado entre os profissionais da psicoterapia, inclusive entre os analistas junguianos, tanto do ponto de vista teórico, quanto do ponto de vista prático.
Palavras-chave: homossexualidade, homofobia, Eros, alma, Andrógino.

AMOR, DOR E CRIATIVIDADE

Sinopse: O autor aborda o amor como um fenômeno arquetípico e explora essa concepção por meio de amplificações simbólicas encontradas na cultura ocidental, a partir de eros na visão dos gregos, passa por Adão e Eva, explora o amor no mito judaico cristão. Examina o amor do ponto de vista da psicologia analítica, as possibilidades de suas manifestações inclusive no setting analítico e como caminho para o encontro com a alma. Considera o amor, a dor e a criatividade como forças que movem o mundo e o mantêm íntegro.
Palavras-chave: amor, arquetípico, cultura ocidental, alma, dor, criatividade

MAR MORTO: “É doce morrer no mar…”

Sinopse: Este artigo propõe um olhar psicológico para o livro Mar Morto, uma das obras de Jorge Amado. O mar, imagem de fundo do romance, revela-se um verdadeiro retrato, imagem arquetípica, das profundezas psíquicas — evidenciando temas como a morte, o amor, a dor da perda e a paixão.
É realizada uma correlação entre as ideias de Jorge Amado, Gaston Bachelard e a psicologia analítica sobre a imagem do mar e das águas. O drama e a paixão vivida pelos personagens principais do livro espelham o das relações intrapsíquicas e interpsíquicas — demonstrando a construção e o desenrolar da vida psíquica. Uma coniunctio alquímica.
Palavras-chave: inconsciente, arquétipos, imagem arquetípica, coniunctio alquímica, amor-morte- mar.

O TRECHO DO MUNDO: UM OLHAR SOBRE A INDIVIDUAÇÃO DO ANDARILHO

Sinopse: Este artigo originou-se da monografia de conclusão do curso de formação de analistas e busca discorrer sobre a realização do processo de individuação dos andarilhos, sob a óptica da psicologia analítica de Carl Gustav Jung. Também procura-se correlacionar o fenômeno da sua “ opção” de vida com a ética contemporânea, com os arquétipos da errância e da sombra, além de parte de sua experiência religiosa. O autor enfatiza a relevância do fenômeno do “ estilo” de vida do andarilho como uma forma silenciosa e concreta de trazer significativos questionamentos para os atuais modos de vida da sociedade.
Palavras-chave: andarilho, arquétipo, individuação, psicologia analítica

COMPLEXO MATERNO E CRIATIVIDADE EM COMO ÁGUA PARA CHOCOLATE: INDIVIDUAÇÃO E PSICOPATOLOGIA

Sinopse: Esse trabalho discute o processo de individuação nas mulheres mediante amplificação com o filme Como Água para Chocolate. O filme é baseado no romance da escritora mexicana Laura Esquivel, que é a roteirista também. Enfatizamos um conto indígena que é relatado no filme e que pensamos ser o ponto central desse enredo: um símbolo da vida de Tita, a heroína dessa história.. A vida de Tita, das irmãs e mãe é contextualizada para estudar o trabalho de C. G. Jung a respeito da psicodinâmica dos complexos maternos nas mulheres. Finalmente construímos pontes para questões sociais e culturais que estão envolvidas no processo de adaptação e individuação de qualquer pessoa.
Palavras-chave: cinema, complexo materno, individuação, criatividade, psicopatologia.

SELF CORPORAL: UM CASO PARADIGMÁTICO DE EXPERIÊNCIA INTRAUTERINA

Sinopse: Este artigo percorre algumas concepções psicológicas na busca de compreender o ser humano como uma unidade biopsíquica, a emergência de um Self corporal precoce e o principium individuationis atualizados em imagens de experiência intrauterina mediante a apresentação de um caso clínico.
Palavras-chave: Self corporal, unidade biopsíquica, bases biológicas dos arquétipos, inconsciente somático, arquétipo psicoide.

DESENVOLVIMENTO DE IDENTIDADE NA ADOLESCÊNCIA: UMA ANÁLISE DO LIVRO CLARISSA NA PERSPECTIVA DA PSICOLOGIA ANALÍTICA

Sinopse: Este artigo analisa a obra literária Clarissa, de Erico Verissimo, e enfatiza o desenvolvimento de identidade da protagonista. Buscou-se tecer aproximações entre as expressões da psique feminina adolescente manifestas no romance com as contribuições da psicologia analítica. Discute sobre as angústias, sonhos e fantasias vivenciadas nessa fase da vida, advindos do rompimento do estado paradisíaco da inconsciência e a necessidade de elaboração de lutos e sacrifícios como parte da aquisição da identidade adulta. Durante a adolescência ocorre uma diferenciação do ego; dessa forma, a relação com o outro faz-se imprescindível para o caminho do encontro consigo. Nessas relações interpessoais os arquétipos da persona, sombra e anima/animus são acionados para estruturação da personalidade.
Palavras-chave: adolescência, desenvolvimento de identidade, individuação, anima/animus.

Cadernos Junguianos – n° 5 – 2009

Cardenos Junguianos

Sumário

Editorial
5

Artigos

Tempo da Tesoura,
Tempo da Cola: uma metodologia

Rosa Maria Carollo Blanco
7

Dionísio com Gentileza:
uma contribuição junguiana

Aurea Christina Torres
21

A Herença Psíquica

Renata Whitaker Horschutz
35

Vinícius, o Poeta do Amor;

Jung, o Poeta da Alma
44

Islã, Pós-Moderniadade e Jung:
um encontro possível?

Claudia Morelli Gadotti
58

Histórias que a Alma conta:
reflexões sobre eventos do filme

A História Oficial
68

As Fases da Lua
W.B.Yeats

trad. comentário de Dora Ferreira da Silva
80

Entrevista

Ficar com a imagem:

um entrevista com Patricia Berry
87

Resenhas

Eurípedes para Junguianos

Rubens Bragarnich
91

Acerto de Contas

Acací de Alcantara
94

A voz e o Tempo

Silvia Graubart
96
Ivo Storniolo (1944-2008)
99
Orientações aos autores para publicações
101

Tempo da Tesoura, Tempo da Cola: uma metodologia

Sinopse: Este artigo faz parte da tese de doutorado da autora na qual discute caminhos possíveis para a prática da clínica a partir das demandas do contemporâneo. Isto implica em pensar a psicopatologia a partir de outros parâmetros e em criar outras ferramentas para trabalhar a uma delas é arte da colagem.

Dioniso com Gentileza: uma contribuição junguiana

Sinopse: Esse artigo utiliza os conceitos teóricos da psicologia junguiana para contextualizar a conhecida biografia de José Datrino, o Profeta Gentileza. Esse estudo também seleciona alguns textos de psicologia analítica, filosofia, psicanálise, mitologia, antropologia e sociologia: o objetivo é o de discutir temas como a crise atual da psicoterapia, os conceitos de saúde e doença e a conexão entre natureza e civilização. A autora traça um paralelo com o mito grego de Dionísio e, então, identifica o padrão arquetípico que assegura a subjetividade e a inclusão social cotidiana de um indivíduo psicótico (Gentileza). A autora enfatiza que a conseqüência imediata disso é o valor inestimável que as orientações teórica e clínica junguianas podem ter no processo de pesquisa, compreensão clínica e reabilitação social dessas pessoas.

A Herança Psíquica

Sinopse: Este artigo aborda a herança psíquica—legados familiares transmitidos de geração em geração, de natureza religiosa, moral e cultural, encarados como verdadeiros Karmas familiares. Convida a uma reflexão sobre o “fantasma familiar” que, transformado, resolve o impasse da geração presente e projeta um novo passo, importante tanto para a vida pessoal, familiar e social, assim como para a herança das futuras gerações.

Vinicius, o Poeta do Amor; Jung, o Poeta da Alma

Sinopse: Esse artigo fala de amor e de poesia e para isso foi escolhido o poeta, diplomata, escritor, jornalista, letrista, dramaturgo e diplomata Vinícius de Moraes. Fala da sua vida e obra. Vai também procurar abranger a visão que Jung tinha do tema, relacionando pontos de convergência e divergência entre eles. Ambos denunciaram as feridas da alma e, de maneiras diferentes, também o bálsamo que a conforta. Jung dizia que o amor e Deus se oferecem aos seus serviçais mais corajosos. Falou sabiamente do corajoso processo de individuação e nos impressiona com o seu. Vinícius, o “arauto do amor apaixonado” viveu a vida buscando o amor e a paixão, corajosamente. Jung, que “descobriu” a anima; Vinícius que fez dela seu altar.

Islã, Pós-Modernidade e Jung: um encontro possível?

Sinopse: A partir de um questionamento sobre o que significa arquetipicamente a dívida que o mundo ocidental tem com o Islã, a autora propõe uma reflexão sobre como a idéia de modernidade e do fundamentalismo islâmico habitam nosso imaginário coletivo e estão presentes nas nossas atitudes contemporâneas. Desenvolve um paralelo entre esta dimensão coletiva e a pessoal, entendendo a psique como vítima deste desencaixe entre os automatismos modernos e a vivência mítica, ocasionando um empobrecimento de sua capacidade de criar imagens e fantasias . Por fim, coloca a psicologia analítica como uma possibilidade de resgate da alma contemporânea e da própria experiência psíquica.

Histórias que a Alma Conta: reflexões sobre eventos do filme História Oficial

Sinopse: Este artigo propõe uma reflexão a respeito dos fatos históricos relatados pelo filme A História Oficial de Luiz Puenzo, faz um paralelo sobre a visão literal e a visão simbólica dos eventos relatados. Sugere que, por mais incompreensíveis que os fatos possam parecer sob o olhar unilateral da visão do ponto de visto do ego, existem motivos que evidenciam a intencionalidade do inconsciente. Esta reflexão assinala uma das maneiras sugeridas pela alma para recontar a História Oficial, mais especificamente, o motivo da criança. Num percurso que vai da análise do contexto histórico ao nascimento da criança, seu abandono, trauma, adoção e possibilidade de transformação, o autor aponta para os processos do mundo anímico.