In Memorian

MARIA IEDA (1963-2018), AMIGA E COMPANHEIRA DO IPAC.

Não é fácil despedir-se de uma amiga tão presente. Ainda estou aprendendo a me despedir, está difícil, lentamente começo a aceitar, a assimilar esta separação.

Ieda está em minha vida desde o início da primeira turma do curso de formação de analistas do IPAC. Chamava minha atenção pela rapidez de raciocínio, pela objetividade e força moral, assim como também pela capacidade de enxergar mais profundamente os movimentos da psique. Com sua maneira insistente de procurar a verdade, a compreensão exata dos textos, tornava-se muitas vezes teimosa, insistente, persistindo no ponto de vista que confiava ser o certo. Seguia tecendo argumentos cada vez mais lógicos e corretos, me fazendo repensar o raciocínio inicial. Foi uma presença ímpar me encaminhando para fora do rotineiro trilho da vida. Poder acompanha-la na elaboração de sua monografia foi realmente um aprendizado, que me levou a atravessar a ponte do Ocidente para o Oriente, compreendendo particularidades da psique japonesa, comidas, costumes, me surpreendendo com a variedade de significados que os ideogramas alcançavam.

Quem teve a oportunidade de assistir à apresentação de sua monografia e palestra, pôde constatar a maneira delicada e minuciosa de nos retirar da lógica do ocidente e mostrar-nos que tudo é efêmero e que O Nada não é vazio, pelo contrário, apresenta uma completude.

Durante o breve período em que se dedicou às Comissões de Ética do IPAC e da AJB, fez um trabalho cuidadoso, sendo muito elogiada.

“Ieda fez um trabalho impecável, envolvendo-se profundamente com o processo interno, organizando e mantendo uma neutralidade tão importante neste caso.
Ela tinha um equilíbrio de razão e emoção que são difíceis de encontrar em um profissional. ” Fabiana Binda Grazi

“Maria Ieda mostrou-se sempre atuante e participativa e era a representante do IPAC na Comissão de Ética da AJB. Colega lúcida, prestativa, responsável, ao mesmo tempo, carinhosa e amiga como pode atestar todos que a conheceram pessoalmente. ”  Rubens  Bragarnich

Agora sinto sua falta Ieda, sinto o Vazio repleto de possibilidades, porque também, aprendi com você que somos seres em transição por essa vida, com uma passagem efêmera, como a flor de cerejeira, sakura, tão apreciada no Japão.


Na busca do perfeito e belo
encontramos dor e sofrimento.
O Vazio repleto de possibilidades
traz a completude tão desejada.
Sentimo-nos. Uno com o Universo,
é um alento para a Alma faminta.
Os obstáculos da vida parecem
Intransponíveis para o pequeno ego.
Mas ao conectar-se à essência do Ser,
o ego nutre-se de alimento espiritual possibilitando
o aprimoramento para o seu próprio Bem e o da Humanidade.

Maria Ieda Ikeda

Heleni Silvia Holtz Sousa

Escrevo para homenagear Heleni Sílvia Holtz Souza, nossa aluna na formação de analistas do IPAC, colega na profissão como psicóloga e, antes de tudo, uma grande amiga e uma pessoa inteligente e sensível que nos acompanhou por um tempo importante.
Seu esforço genuíno para sempre fazer o melhor, tanto nos estudos e na profissão, como em seu papel de mãe de família e anfitriã, recebendo os colegas e amigos com grande generosidade foi muito admirado por todos.
Heleni sempre foi positiva no enfrentamento de dificuldades, seja em relação a sua saúde, seja na adaptação a um novo país, onde viveu por vários anos quando seu marido foi transferido por razões profissionais para os Estados Unidos.
Quando partiu de nós, em 18/7/2009, após um breve adoecimento, deixou um grande vazio entre os membros de sua família, principalmente os filhos e seu marido, mas também entre os amigos, colegas e professores do curso no qual estava se desenvolvendo tão bem. Sua participação nas aulas era viva e interessada e inspirava a todos.
Lembro dela, em sua vitalidade e boa disposição para entrar em contato com tudo que vinha ao seu encontro na vida. Tinha também um lado profundo e reflexivo que sabia vivenciar as tristezas e as angústias quando se colocavam para ela ou para as pessoas com quem convivia.
Deixou-nos muitas saudades e, como gesto póstumo, legou todos os seus livros de psicologia para a biblioteca do IPAC, um sinal vivo de sua presença e de seu interesse pela psicologia em geral e, em particular, pela psicologia junguiana.
Fazemos essa simples homenagem dedicando a ela todo nosso afeto e nossa admiração.