In Memorian

Maria Ieda Osato Ikeda (29/10/1963 – 07/02/2018), AMIGA E COMPANHEIRA DO IPAC.

Não é fácil despedir-se de uma amiga tão presente. Ainda estou aprendendo a me despedir, está difícil, lentamente começo a aceitar, a assimilar esta separação.

Ieda está em minha vida desde o início da primeira turma do curso de formação de analistas do IPAC. Chamava minha atenção pela rapidez de raciocínio, pela objetividade e força moral, assim como também pela capacidade de enxergar mais profundamente os movimentos da psique. Com sua maneira insistente de procurar a verdade, a compreensão exata dos textos, tornava-se muitas vezes teimosa, insistente, persistindo no ponto de vista que confiava ser o certo. Seguia tecendo argumentos cada vez mais lógicos e corretos, me fazendo repensar o raciocínio inicial. Foi uma presença ímpar me encaminhando para fora do rotineiro trilho da vida. Poder acompanha-la na elaboração de sua monografia foi realmente um aprendizado, que me levou a atravessar a ponte do Ocidente para o Oriente, compreendendo particularidades da psique japonesa, comidas, costumes, me surpreendendo com a variedade de significados que os ideogramas alcançavam.

Quem teve a oportunidade de assistir à apresentação de sua monografia e palestra, pôde constatar a maneira delicada e minuciosa de nos retirar da lógica do ocidente e mostrar-nos que tudo é efêmero e que O Nada não é vazio, pelo contrário, apresenta uma completude.

Durante o breve período em que se dedicou às Comissões de Ética do IPAC e da AJB, fez um trabalho cuidadoso, sendo muito elogiada.

“Ieda fez um trabalho impecável, envolvendo-se profundamente com o processo interno, organizando e mantendo uma neutralidade tão importante neste caso.
Ela tinha um equilíbrio de razão e emoção que são difíceis de encontrar em um profissional. ” Fabiana Binda Grazi

“Maria Ieda mostrou-se sempre atuante e participativa e era a representante do IPAC na Comissão de Ética da AJB. Colega lúcida, prestativa, responsável, ao mesmo tempo, carinhosa e amiga como pode atestar todos que a conheceram pessoalmente. ”  Rubens  Bragarnich

Agora sinto sua falta Ieda, sinto o Vazio repleto de possibilidades, porque também, aprendi com você que somos seres em transição por essa vida, com uma passagem efêmera, como a flor de cerejeira, sakura, tão apreciada no Japão.


Na busca do perfeito e belo
encontramos dor e sofrimento.
O Vazio repleto de possibilidades
traz a completude tão desejada.
Sentimo-nos. Uno com o Universo,
é um alento para a Alma faminta.
Os obstáculos da vida parecem
Intransponíveis para o pequeno ego.
Mas ao conectar-se à essência do Ser,
o ego nutre-se de alimento espiritual possibilitando
o aprimoramento para o seu próprio Bem e o da Humanidade.

Maria Ieda Ikeda

Heleni Silvia Holtz Sousa (10/12/1963 – 18/07/2009)

Escrevo para homenagear Heleni Sílvia Holtz Souza, nossa aluna na formação de analistas do IPAC, colega na profissão como psicóloga e, antes de tudo, uma grande amiga e uma pessoa inteligente e sensível que nos acompanhou por um tempo importante.
Seu esforço genuíno para sempre fazer o melhor, tanto nos estudos e na profissão, como em seu papel de mãe de família e anfitriã, recebendo os colegas e amigos com grande generosidade foi muito admirado por todos.

Heleni sempre foi positiva no enfrentamento de dificuldades, seja em relação a sua saúde, seja na adaptação a um novo país, onde viveu por vários anos quando seu marido foi transferido por razões profissionais para os Estados Unidos.
Quando partiu de nós, em 18/7/2009, após um breve adoecimento, deixou um grande vazio entre os membros de sua família, principalmente os filhos e seu marido, mas também entre os amigos, colegas e professores do curso no qual estava se desenvolvendo tão bem. Sua participação nas aulas era viva e interessada e inspirava a todos.
Lembro dela, em sua vitalidade e boa disposição para entrar em contato com tudo que vinha ao seu encontro na vida. Tinha também um lado profundo e reflexivo que sabia vivenciar as tristezas e as angústias quando se colocavam para ela ou para as pessoas com quem convivia.
Deixou-nos muitas saudades e, como gesto póstumo, legou todos os seus livros de psicologia para a biblioteca do IPAC, um sinal vivo de sua presença e de seu interesse pela psicologia em geral e, em particular, pela psicologia junguiana.
Fazemos essa simples homenagem dedicando a ela todo nosso afeto e nossa admiração.